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31 octubre, 2025

A análise tem um pouco de jogo de xadrez.

Por María Fernanda Fernandes
Ajedrez psicoanálisis

Para los apasionados del ajedrez, la metonimia utilizada por Freud y desarrollada brevemente por Maria Fernanda Fernandes, es muy sugerente.

“Quem quiser aprender o nobre jogo de xadrez a partir de livros logo irá se dar conta de que apenas as jogadas de abertura e as jogadas finais permitem uma representação exaustiva, enquanto a enorme variedade das jogadas que começam a partir da abertura acaba frustrando tal representação. Apenas um estudo aplicado de partidas em que mestres se enfrentaram pode preencher essa lacuna das instruções. Limitações semelhantes a essas parecem ocorrer com as regras que podemos estabelecer para o exercício do tratamento psicanalítico.”

(Freud, 1914)

Entendo que Freud não quis utilizar o tabuleiro de xadrez como mera “decoração” no texto, mas como imagem viva da prática psicanalítica. A clínica, como no tabuleiro, não se deixa reduzir a manuais. Há movimentos inaugurais que podem ser ensinados, reconhecíveis, como o início de uma partida, quando se estabelece o enquadre e se inaugura uma relação transferencial. Também há movimentos finais, quando a análise se aproxima de seu desfecho, em que certas jogadas se tornam mais claras, como se estivéssemos diante de uma conclusão necessária. Mas o meio do jogo – esse espaço indeterminado, pleno de surpresas, hesitações, avanços e recuos – é o que, de fato, dá corpo à experiência.

Na prática, cada sessão abre possibilidades que não estavam previstas. O paciente pode deslocar a peça de maneira inesperada, obrigando o analista a repensar todo o tabuleiro. E nesse ponto, mais do que técnica ou cálculo, o que se pede é presença e atenção: uma escuta que se deixa surpreender. O improviso, aqui, não é desordem, mas fidelidade ao jogo em sua natureza própria.

Aprendo, com a metáfora freudiana, que é na experiência – e não apenas na leitura dos textos ou no acúmulo de regras – que se aprende a jogar. Cada análise constitui um jogo singular, irrepetível, em que a transferência não se domina por antecipação.

É nesse terreno movediço que a psicanálise se mantém viva.

Maria Fernanda

Psicóloga, CRP-08/46192

Escrito por...
Maria Fernanda Fernandes é graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Campus Curitiba, e bolsista PIBIC Master – Combined Degree no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da mesma instituição. Atua como presidente da Liga Acadêmica de Psicanálise (LAPSA/PUCPR). Também, é Editora do Selo Editorial Filosofia de Combate, uma iniciativa do Laboratório de Editoração do PPGF/PUCPR.
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