Este livro é uma celebração de palavras e imagens, fruto de um longo processo de gestação que começou há muitos anos. Nas suas páginas, o leitor encontrará não apenas poemas, mas também fotografias, desenhos e serigrafias, proporcionando uma experiência estética autêntica, assim como suas obras anteriores, nem sempre no formato de livro, desde a década de 70.
O primeiro livro de poemas de Eduardo, “Os mãos pelas meto pés” (1980), foi escrito em 1979, quando tinha apenas 16 anos. Produzido com mimeógrafo e serigrafia na capa, este livro marcou o início de sua jornada literária. Foi o poeta e artista visual Luiz Rettamozo quem primeiro viu potencial nos versos de Eduardo, ajudando-o a refinar e compreender a essência da poesia. Várias pessoas gostaram, dentre eles os poetas Paulo Vítola, o Leminski, o pintor Rogério Dias, e de repente havia um poeta. A partir daí, seguiram-se diversas experiências criativas, incluindo exposições colaborativas e a criação de obras que integravam poesia, arte visual e performances públicas.
A cada novo projeto, Eduardo explorava diferentes formatos e suportes, como em “É Novo o Vento de Outono” (1982), um livro cujas folhas soltas simbolizavam a efemeridade das folhas outonais. Suas criações se expandiram para letras de música, exposições de arte-xerox, vídeos, filmes e teatro, sempre imbuídas de filosofia e psicanálise. Essa multiplicidade de experiências culmina neste livro, onde a poesia se entrelaça com sombras e recolhimento, maturando por cerca de quinze anos.
Este livro é, portanto, um testemunho de todas essas influências e experiências que moldaram sua trajetória poética.
14/06/2024