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Por Eduardo Ribeiro da Fonseca
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GT FILOSOFIA E PSICANÁLISE DA ANPOF
Playlist Prévias ao XI Congresso Internacional Filosofia e Psicanálise que ocorrerá entre os dias 1 e 5 de dezembro de 2025 na Universidade Federal do Amazonas, em Manaus.
Lançamento do livro: Deleuze e o Instinto de Morte: Debates com a Psicanálise
No Canal oficial do GT Filosofia e Psicanálise da ANPOF você encontra o registro das entrevistas realizadas pelo Canal com o coordenador do GT Filosofia e Psicanálise, Caio Souto (UFAM) e com Aline Sanche (UEM), durante o segundo semestre de 2025. As entrevistas são eventos prévios ao XI Congresso Internacional Filosofia e Psicanálise que ocorrerá entre os dias 1 e 5 de dezembro de 2025 na Universidade Federal do Amazonas, em Manaus.
No primeiro vídeo, O Professor Souto é apresentado como um pesquisador com formação em Filosofia e Pós-Doutorado em Filosofia da Psicanálise (PUCPR), com fortes bases em pensadores como Canguilhem, Foucault e Nietzsche. Sua pesquisa foca em temas contemporâneos como biopolítica, necropolítica e epistemologias do Sul, indicando uma abordagem que busca tensionar os conceitos psicanalíticos e filosóficos clássicos com questões de ordem política, social e decolonial.
Nesta entrevista com o Prof. Caio Souto (conduzida por Eduardo Ribeiro da Fonseca), é esmiuçada a organização do XI Congresso Internacional de Filosofia e Psicanálise (CIFP), a ser realizado em Manaus. A síntese filosófico-psicanalítica da temática se estrutura em torno da descentralização conceitual e geográfica da área:
O Congresso (com o tema “Filosofia e Psicanálise na Amazônia: diálogos interdisciplinares e perspectivas contemporâneas”) propõe uma extensão do conceito freudiano de Mal-Estar na Cultura (ou, como sugerido, Mal-Estar na Natureza…), confrontando a psicanálise com a crise ambiental, o problema amazônico e as questões étnico-raciais. O movimento busca levar o GT para regiões historicamente menos contempladas do Brasil (Norte e Centro-Oeste), promovendo um giro temático.
Souto discute como a filosofia de Georges Canguilhem pode ser mobilizada. O conceito de Normatividade Vital de Canguilhem é usado para criticar uma visão quantitativa da saúde (biomedicina) e abrir o debate para uma concepção qualitativa e axiológica (valorativa) da vida, fundamental ao se pensar a Saúde Indígena e a Saúde Coletiva na Amazônia. A capacidade de um ser vivo (ou de um povo) de criar novas normas de vida e resistência diante das transformações do meio ambiente é um ponto-chave que liga Canguilhem às estratégias de sobrevivência e re-criação dos povos amazônicos, desafiando a psicanálise a “aprender a escutar” essa vitalidade.
Etnopsicanálise, Antropologia e Pluralidade Ontológica: Há um forte apelo à etnopsicanálise e à antropologia da saúde. O objetivo é ir além da antropologia tradicional, que unificava a história humana, para abraçar a pluralidade de concepções de mundo. Ao interagir com as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, o GT busca tensionar os pressupostos conceituais da psicanálise a partir da tradução ontológica (entender a etnicidade não apenas como cultura, mas como formas distintas de ser e experienciar a realidade).
Por fim, a entrevista sugere a ideia de uma Epistemologia Histórica da Amazonologia. Isso implica desnaturalizar o olhar sobre a Amazônia, que tem sido historicamente objetificada como “natureza” pelas ciências ocidentais. A região é defendida como uma construção cultural resultante da interação histórica entre os povos humanos e o bioma, exigindo um aporte interdisciplinar (arqueologia, antropologia) para ser compreendida em sua complexidade, um desafio direto às perspectivas universalizantes.
O segundo vídeo, que é uma entrevista com Aline Sanches, aborda a organização do XI Congresso de Filosofia da Psicanálise (GT Filosofia e Psicanálise da ANPOF) nos seguintes pontos:
Local e Descentralização: O congresso será realizado em Manaus (AM). A escolha do local faz parte de um esforço do GT para descentralizar a organização de eventos do eixo Sul-Sudeste e levar o debate para outras regiões do Brasil.
Sanches ressalta que a temática do congresso se desloca junto com o eixo geográfico, sendo motivada pela potência da pesquisa feita na região e pela necessidade de integrar os saberes regionais. Há uma provocação para que os participantes contribuam com temas que levem em consideração a questão da Amazônia e seus problemas concretos, incluindo as questões ameríndias.
É destacado o trabalho realizado localmente (menciona-se o professor Caio Solto) de trazer saberes indígenas para conversar com a filosofia e a psicanálise, buscando uma conexão de saberes que não seja unilateral, mas de criação conjunta.
Aline Sanches ressalta também que haverá transmissão online do evento, o que permite a participação de pessoas que não conseguirão se deslocar para Manaus, ajudando a democratizar o acesso e integrar um país de dimensões continentais.
No vídeo, é realizado também um debate aprofundado entre Eduardo Ribeiro da Fonseca e Aline Sanches, centrado no livro dela, “Deleuze e o Instinto de Morte: Debates com a Psicanálise”. A obra de Aline Sanches se concentra na recepção da psicanálise por Deleuze no período de 1967 a 1969 e defende a tese de que o Instinto de Morte primordial é elevado por Deleuze a um princípio transcendental.
Assista os vídeos e saiba mais sobre o XI CIFP e sobre o lançamento do livro de Aline Sanches!
